domingo, 27 de setembro de 2009

São os que vieram em Setembro

UM DIA DE DOMINGO

Dona Maria do Carmo, matriarca dos Lopes Nascimento, reuniu a família para uma múltipla comemoração: o aniversário dos que vieram em Setembro. O cardápio e a data eram os que o patriarca aprovaria se vivo fosse. Dia 20, não por ser seu aniversário, mas o Dia do Gaúcho, e ainda, data da proclamação da Revolução Farroupilha, reafirmação do sentimento de resistência, de liberdade e patriotismo, marco da história e formação política do Rio Grande do Sul, donde a família é oriunda.

Aos aniversariantes, Ailto ( 1º setembro), Aldo Augusto (dia 9/09/09), Cléa Eunice (16/09), Barão do Fragata (26/09), o neto Alan Figueiredo (1º de Outubro) e Tânia Catarina (dia 8),candidata à uma vaga na Câmara Federal, “Parabéns”, bolos, beijos e abraços; também foram contemplados com o mesmo carinho, Márcia (16/09), a vizinha favorita, e Luiz Amorim (dia 4), o amigo de todos. Além do patriarca, professor Argemiro, foram lembrados Lucy Dane (dia 02) e Oldomar (14), também setembrinos (com Canjo, o Tim, completariam a prole de onze filhos do casal). Como se vê os ausentes mais presentes do que nunca, na lembrança e no bate-papo.

E as agradáveis presenças dos não-aniversariantes e dos amigos Lourdes Soares e os filhos Léo, Bruno e Camila (também Santana e sobrinhos da Lúcia Maria); as senhoras Dulcinéia e Dilma Aragão; a escritora Sandra Quintella e o filho, repórter, poeta e boêmio Bruno Quintella (também neto da matriarca); D. Maria “Caíca” da Luz e os Amorim, Lizete, Larissa e Fernando, com a namorada Carla; Thiago com Ingrid Souza Lima; e Alessandra com o marido Felipe Amorim. Nádia Figueiredo os filhos (Alver Chamon e Nívea), o genro (Alessandro), a nora (Renata) e netos Nayra e Hugo, mais Caio. João Muri, Maria Júlia (Letícia), Joana e João Marcelo. Érica e Wallace Vieira. Danilo Góes. Cecília , os filhos Vinicius, Bianca e o genro Fábio Guilherme.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Não adianta chorar

Um dia o acordeonista, cantor e galã Ireno Machado* pegou um velho caderno de anotações com alguns pretenciosos versos, que eu tinha intenção de transformá-los em canções. Tomando conhecimento das minhas intenções, abriu aleatoriamente numa página, leu os versos abaixo e, em seguida, desenhou uma linha melódica para eles...com direito a coral e grande produção...


Desta vez não há razão
P'ra Você reclamar
Que vive na solidão
Amor eu quis lhe dar
Mas, Você não quis }bis
meu amor aceitar }

Vai ficar sozinha outra vez
Nunca mais p'ra Você vou voltar
Vai pagar pelo que me fez
Não adianta chorar } bis


*Pai do artista-plástico Vladimir Machado, que nós, especialmente o eu e o Canjo, escolhemos como irmão.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

UM DIA DE REI

DIA DOS PAIS


Meu dia dos pais não tem a mesma conotação que tem para a maioria, se não pelo fato de me reunir mais uma vez mais - e nunca é demais - com meus filhos; e, pelo caráter comercial que a data tem hoje, vira festa com direito a almoço e presentes. Uma camisa, um tênis, etc... e isso faz esse dia ter um significado próprio e muito festivo.

Ontem, foi apenas um dia desses. Tão especial, quanto os dias em que nos reunimos todos na casa da D. Maria do Carmo, matriarca da nossa família para aquelas comemorações tradicionais: dia das mães, aniversário de um ou de outro, almoço do Natal e do Ano Novo, o casamento de alguém tão próximo.

Tão especial mesmo como um dia sem qualquer comemoração especial, em que nos reunimos aleatoriamente, sem programarmos e nos vimos juntos em Araruama, Rio das Ostras, qualquer lugar... Chamei a mea-culpa porque nunca me reuni com meus filhos para trocar opiniões, contar da nossa rotina no trabalho e falar das nossas metas e, nem mesmo extravasar nossos descontentamentos, botar pra fora nossas frustrações, criticar nossos defeitos, reclamar das injustiças pra tudo e nem procurar ombro um do outro, a palavra amiga e a solução paliativa, porque esses são apenas, mas importantes, gestos de apoio moral e não de solução prática ou material. Questionei intimamente minha presença paterna. E encontrei o auto-perdão pelo fato de hoje eles estarem adultos, formados e empregados. Tô me penitenciando com um copo de cerveja e um brinde com meus filhos. Comodamente...

Sempre a solidariedade, o carinho e o amor materno ditando mais alto e colocando ordem no destino de cada um de nós...

Ontem, como tem sido nos últimos anos, o dia dos Pais foi meu dia de rei. A atual idade é a minha coroa dessa monarquia. Fui almoçar com meus filhos, Alessandra e Thiago, que trocaram com seus respectivos marido e namorada, alvarás de liberdade condicional e restrita para fins de comemorar o dia dos Pais, cada qual com seu progenitor. Foi uma decisão realmente democrática, em que a ditadura da maioria não venceu. Foi a vitória da democracia que contempla a todos indistintamente.

Não tenho dúvidas de que Deus nos legou, a mim e minha mulher, uma das maiores fortunas que se pode merecer. As nossas origens nos legaram uma riqueza que jamais nos será subtraída: o caráter, o que aprendemos e o exercício de viver. Esse legado é o resultado da família que nos formou e da família que formamos. Duplamente premiados, Deus nos legou Alessandra e Thiago. E com um tesouro desses, qualquer pai, não é um pai qualquer. É um rei! Eu era um rei e não sabia. Ontem, com mea culpa ou culpa inteira, fui definitivamente coroado. Assim, diz meu coração.

Rio, 10 de agosto de 2009

domingo, 9 de agosto de 2009

AS MÍNIMAS DO BARÃO

Para duas coisas não tenho tempo: sentir saudade e morrer. Saudade é lembrança doída e entristece. Chega! E não sei se depois de morto, se pode curtir recordações, que são lembranças daqueles momentos felizes que alimentam a alma durante a nossa vida.

Qualquer empregado que receba um salário mínimo, mesmo não fazendo nada, já está recebendo menos do que merece. Exceto se for puxa-saco. Aí estará ganhando demais.

Nepotismo é empregar vagabundo e incompetente. E parente e político, que se servem desse expediente, não passam de corruptos.
NAQUELE TEMPO...

A Gazeta de Notícias funcionava na rua Leandro Martins, atrás do Colégio Pedro II. Sempre, ia lá levar a coluna do Evaldo Lemos e uma entrevista produzida pela Rizeth Garcia. “Balaio” era uma coluna diária assinada com pseudônimo de Valdo Silveira, na verdade nosso “homem pra toda obra”, inclusive fazendo às vezes de office-boy. A matéria da Rizeth era semanal e fazia questão que eu entregasse pessoalmente para passar sugestões de diagramação. O nome do profissional do setor era o jornalista Paulo Francisco. O editor-chefe era o bigodudo, gordo e gauchão Osmar Flores, sempre pigarreando – não dispensava uma pinga, – com um cigarro pendurado no canto da boca, Arthur Oscar e o sisudo Antonio Lemos, hoje no jornalismo da Super Tupi.

Juntamente com Lemos, Paulo Francisco ficava até tarde às sextas-feiras para o fechamento das edições de sábado e domingo e ainda fazia o adiantamento da edição de segunda-feira. Testemunha do sufoco, me oferecia para ajudá-lo no “gilete-press” – que era apenas copidescado ao nosso estilo. Percebendo a pressão imposta pelo tempo e as dificuldades de pessoal e grana, sugeri uma coluna nova, sem prejuízo de ajudá-lo sempre que pudesse. Em vez de uma coluna diária, passei a ser responsável por duas no ano seguinte. Para quem trabalhava com divulgação cultural e artística, era indispensável não depender da vontade dos coleguinhas (muitos dos quais sempre nos olhando atravessado) para divulgar material de interesse social e público, embora se retribuísse um ou outro dono de botequim com uma notinha.

Os hipócritas de plantão, por conta disso, chamavam-nos de “picaretas”, mas normalmente vinham comer e beber na nossa mesa. Dissimulam os interesses escusos para os quais usavam (e ainda usam) seus espaços na imprensa. Alguns estendiam suas frustrações e incompetência dizendo que o colunismo social é anacrônico e atacando colunistas consagrados. Um dos alvos recentes da inveja e da hipocrisia foi a jornalista Hildegard Angel.

Stanislaw Ponte Preta e Antonio Maria, um criou e outro adotou (ou vice-versa), o termo sutil para aquelas notinhas etílico-gastrônomicas – picadinho-relations – e mesmo tirando sarro, publicavam as que fossem mais interessantes, especialmente as de coquetéis festivos, lançamento de livros e discos, que normalmente ocorriam em bares e restaurantes. Assim deletando qualquer mea-culpa que pudéssemos e pudessem nos imputar.


Texto do livro comemorativo dos 50 anos de jornalismo do repórter que vos escreve.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O HOMEM DO REALEJO

O homem do realejo
Tirou minha sorte
Fez pose de forte
Porque eu não quis pagar
a papeleta que dizia
que "minha namorada não era de fé
Que vivo à-toa no mundo
que sou um vagabundo
que não ganha nem pro café".
Dizia também, que ela
Não abriria a janela
Quando eu começasse a cantar
Que a lua iria embora,
Que raiaria a aurora
antes de eu terminar".

Se isso é profecia
Que ingratidão
Também dizia
que quebraria o meu violão
(na minha cabeça) - breque
Que além de magoado,
eu ficaria quebrado
estirado no chão...

Hoje, eu lembro
Que triste sorte
Toda vez que vejo
Com a mesma pose de forte
O homem do realejo

sábado, 18 de julho de 2009

A vida é uma beleza, mas não é um paraíso

Quinta-feira, dia 16 de julho, tive uma noite maravilhosa. Era aniversário da matriarca da família. Minha mãe, Maria do Carmo Lopes do Nascimento. É uma história de vida comum, como a de todos esses pobres brasileiros do interior, mas feliz apesar de/ou graças ao jeito da nossa família ser e viver. Minha mãe era e foi, sem dúvida, a grande mulher na vida de meu pai. Esteve com ele, na alegria, na tristeza, na saúde, na doença, a cada minuto, a cada momento, em que ele esteve vivo. Com a morte do meu pai, muito embora todos os nove filhos tivessem mais de trinta anos e fossem quase todos casados, minha mãe passou a ser mãe-e-pai, a quem todos sempre sondavam, para ter certeza que podiam fazer o que queriam, sem lhe consultar. Um ou outro, num momento de audácia injustificada, acabava por arrumar uma boa desculpa para si mesmo, sempre que fazia qualquer coisa que a pudesse contrariar.

Ela sempre nos prendeu às barras da sua saia, não só pelo respeito que nos ensinou a ter pelos mais velhos, mas pela disciplina como nos criou. E mesmo assim sempre nos manteve completamente livres para pensar e agir. Sabia que os filhos são postos ao mundo e que os pais não são donos deles. Assim, cada um seguiu seu destino ao prazer de seus sonhos, desejos e decisões próprias. Aí, a saudade, a carência dos afagos protetores, da comidinha da mamãe, nos prendiam à barra da sua saia mesmo a distância, tanto quanto mais longe estivéssemos. Aprendi assim que a liberdade é a mais doce e justa forma de prisão. E cobra seu preço, como tudo na vida.

A noção de democracia inteligente - nada platônica, nem impossível sempre foi praticada na nossa casa - sem a ditadura de que a maioria é que manda. Voto minerva das grandes decisões familiares, quando não havia o impasse de um empate, ela tinha a sabedoria de atender a todos, vencedores e perdedores. Bastando que se ajustassem as suas soluções sábias, todos eram atendidos plenamente. Parece que todas as mães são assim. Deveriam ser. Mas não é fácil, numa família grande e pobre, atender uma filharada exigente e, às vezes, materialmente carente (a caristia sempre rondou famílias como a nossa).

Lá se vão, quase nove décadas. O poder desta matriarca não está em ordenar, mas em sugerir. Não está em pedir, mas em confiar. Não está em querer, mas em realmente poder. Certamente, muitas, e muitas vezes, não foi ouvida, atendida, e infalivelmente foi magoada por essa prole a qual deu vida; prole que é infalivelmente uma preocupação permanente. A preocupação de como estamos, já que pensa que não pode mais nada fazer por nós. A preocupação de como vamos ficar, diante da possibilidade de nada mais poder fazer nós ser real. Quanto a nós (este é um plural majestático, mas que pode representar o pensamento de toda a prole), ela faria muito em não se preocupar conosco. Nos basta que se preocupe em aproveitar ao máximo que possa da vida, que, a cada ano, lhe rouba um pouco dos sonhos, da saúde e da felicidade de tudo que deveria ter e que sempre mereceu/merecerá ter. Sei que não tem como mudar um coração de mãe. Sei que não tem como mudar alguém que fez todas as concessões para manter essa família ao seu redor. E pior, sei que não temos competência suficiente para lhe dar, neste momento, a tranquilidade de que mais precisa; momento este, que precisa da nossa força para resistir ao cansaço que lhe toma o corpo e a alma. Parece que não temos nem a sensibilidade para lhe retribuir o universo de dedicação que nos ofertou pela vida toda. (Talvez sejamos como essas pessoas que pensam que encontraram a fonte da eterna juventude). Ser mãe é padecer num paraíso. O poeta que me desculpe, a vida é uma beleza, mas não é um paraíso. Certamente é porisso que as mães padecem...

Dia 16 de julho é aniversário da minha mãe. Da nossa mãe. Combinamos um jantar em família, ao qual não faltaram nem os filhos, netos e bisnetos, que vivem fora do Rio. O neto Rodrigo, sua Daniela e a Ana Cristina vieram de Curitiba; a filha caçula Maria Inês e Lara vieram de Porto Seguro, Bahia; a comadre Edith Terra veio de Campo Grande/MS; a nora Edna veio de Palmas-TO, e se juntaram aos que vivem na barra da saia da matriarca aqui no Rio: Alver (Nádia), Ailton (Edna), Miro (Lúcia Maria), Aloísio, Aldo (Maria Cecília), Tânia (João Muri), Cléa, os netos Danilo, João Marcelo, Vinicius, Érica, Alessandra (Luiz Felipe), Thiago (Ingrid), Maria Júlia (com Letícia), Joana , enfim metade da tribo (porque a outra metade ficou impedida de vir). Também não faltaram amigos (Ângela, Mary e Guto, Wilma, Márcia e Fillipi). A noite ficou menos gostosa pela ausência,embora justificada, dos netos e bisnetos Alver, Allan (Renata e Caio), Nívea (Alessandro, Naira e Hugo) e Bruno (Sandra Quintella). Para compensar, a noite teve um brilho especial: os récem-casados Bianca e Fábio Márcio, que haviam oficializado sua união à tarde, eram um presente para a avó da noiva.

ELA completou declarados 86 anos de idade. Talvez mais, não porque parece ser mais velha do que realmente é. Essa coisa de velhice é mais das adversidades do que propriamente do tempo. Os sofrimentos que enfrentou e muitos dos quais, que felizmente, superou, foram implacáveis com sua saúde. Nesses últimos seis anos, ela envelheceu repentinamente. Perdeu visivelmente o viço que ainda mantinham seus olhos atentos a tudo que rolava ao seu redor. Viver chegou a ser um peso para seus ombros e pernas frágeis, depois de um enfarto há cinco anos. Mais recentemente, os médicos lhe garantiam, um mínimo de mais dez anos de vida. Por conta disso, sua dieta passou a cerca de vinte drágeas diárias de remédios para o coração, a diabetes, hipertensão, a tremedeira e os tremores, etc. Um dia a pressão descontrola, outro a glicose sobe. Isto é uma preocupação constante e silenciosa de todos os filhos, aos quais ela dedicou sua vida inteira. Mas, dona Maria do Carmo continua dando às ordens com uma sugestão dita suavemente, com um gesto de carinho, com um sorriso indelével... e aguarda, com a confiança em que iremos nos tocar em algum momento...