sábado, 26 de março de 2011

A orelha, Adão e a maçã




A orelha é o órgão mais feio do corpo humano, segundo o Conde de Saracuruna, que tem esse título nobiliário por obra e graça do seu criador, uma vez que o mesmo nasceu durante elucubrações do autor, quando morava na Cidade Parque Paulista, às margens do rio do mesmo nome, lá na Raiz da Serra.

A orelha é tão feia que Van Gough preferiu se livrar de uma delas. O auto-retrato de auto-mutilado rendeu fortunas através dos tempos. Foi uma grande vantagem para os colecionadores. Quanto ao Van Gough , nunca chegou as suas mãos criadoras um tostão. O pintor, autor de outras verdadeiras fortunas, em forma de arte, morreu pobre. Portanto, se alguém aí cogitou cortar a orelha e fazer um auto-retrato pra ganhar algum, desista.

Para o Conde de Saracuruna, quando Deus fez o homem, já de saco cheio, pegou os dois pequenos apêndices que se insinuavam de cada lado da cabeça do novo ser, segurou, puxou firme, e a partir deles, fez o corpo do boneco girar sobre o eixo imaginário, e deu o produto por pronto, embrulhado e disponível para ouvir todas as fofocas do mundo.

Houve o fato de o nome do primeiro homem ter virado alcunha (é o epíteto de elemento que não cumpre a lei, seja ela humana ou divina), porque Adão comeu o fruto proibido. Antes que isso acontecesse Deus criou a mulher – até porque como dizem os homens da lei não existe crime, assim como pecado, sem motivo. Se a tivesse feito de uma das orelhas do Adão, provavelmente, Eva seria a primeira baranga da Humanidade.

E Deus preferiu fazer a primeira mulher e também companheira do primeiro pecador de uma de suas costelas (de Adão, é claro!). Entretanto, aquela vida no paraíso, como tudo que é demais, virou rotina e Eva enjoou. E ato contínuo, vendo uma serpente se enroscando numa árvore, com uma maçã na boca, Eva teve uma idéia: pegou uma maçã e se insinuou para Adão com outra parte da anatomia que também é – às vezes, ou sempre – esteticamente tão feia quanto a orelha, mesmo com seus duplos e atraentes lábios grandes e pequenos. Assim sendo com essa dança, Eva fez a cabeça de Adão e também se fez o pomo da discórdia, que até hoje separa de Deus, as religiões e os homens.

E sob a ameaça da espada de fogo do Anjo Guardião, sendo o casal expulso do Paraíso, Adão tentou livrar a cara dele, se justificando, com um ar meio cínico, que nunca mais desapareceu na cara dos mais safados:

– Mas, eu não como orelha...

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domingo, 20 de fevereiro de 2011

ROBERTO CARLOS E EU







A SIMPLICIDADE DE UM REI

Tema do enredo da Beija-Flor de Nilópolis, campeoníssima do Carnaval brasileiro nos últimos 25 anos, Roberto Carlos foi pela primeira vez à quadra da escola de samba que irá homenageá-lo pelos seus 50 anos de carreira e sucesso.

A primeira vez em que vi Roberto Carlos, no final dos anos 60, já raramente a sua turma -Erasmo Carlos, Jorge Ben (Babulina), Tim Maia, Arlênio Lívio entre outros que viviam pelas cercanias, se encontravam no bar 'Divino', na Haddock Lobo. Observava a rapaziada de alguns metros, encostado no balcão do boteco, bebendo minha cerveja, ouvindo as bobagens e as coisas sérias que eles conversavam despreocupadamente. As coisas sérias eram sempre sobre o futuro artístico de cada um, ou uma música nova que pintava. O tempo passou...

Nos anos setenta, era redator (com incumbência de acompanhar as atividades da clientela) da Publicidade Certa que detinha as contas de maioria dos bares, restaurantes e casas de shows da cidade. O Canecão era uma delas. Dos doze shows de Roberto Carlos, pouquíssimos assisti. Já tínhamos entrado na década de 80, e na última grande temporada (de,no mínimo cinco meses, com casas lotadas de terça à domingo) que RC fez, fui conferir se tudo terminara bem. Casa totalmente vazia e uma escuridão, empregados (garçonetes, maîtres, cozinheiros, barmen etc) do restaurante de Maria Thereza Weiss já tinham ido embora. Empregados do Canecão(exceto vigias e seguranças noturnos) também tinham ido embora. Uma luz atrás do palco me chamou atenção. Resolvi verificar.

No caminho, já na coxia encontro D. Laura - imortalizada pela canção do filho "Lady Laura" - me pergunta - Quer falar com Roberto?! Vem aqui... abriu uma porta e me colocou dentro do camarim. O cantor me recebeu com a simpatia, carisma e a simplicidade hoje reverenciada pela Beija-Flor. Me ofereceu uma bebida, aceitei um copo de água mineral. Não sabia nada mais o que dizer a sua majestade e fiquei alguns longos dois, três minutos, me despedi e fui embora.

Alguns anos se passaram, trabalhando na Beija-Flor de Nilópolis, Paulo Botelho, mestre Paulinho, me incluiu na equipe que iria fazer o primeiro de uma série de shows no navio Serena – cruzeiro do "Emoções em alto mar". Os ritmistas e mulatas foram recepcionados numa das boates do Serena com coquetel e fizeram uma pequena e rápida apresentação para os amigos do rei. Depois no salão ao lado, Roberto deu atenção a todos. Fiquei esperando a oportunidade de cumprimentar o cantor, mas a ansiedade e inquietação de todos para abraçá-lo e tirar fotos impediu uma aproximação.

Ano seguinte, o então mestre Paulinho da Beija-Flor de Nilópolis me incluiu novamente no cruzeiro e desta feita consegui cumprimentá-lo e comentar a 'boca pequena' com Roberto, que os meus filhos foram embalados por uma das suas músicas - Calhambeque - embora eu seja rei da desafinação. RC riu, me osculou e posou para uma foto que nunca vi. Também no cruzeiro estava o clã do presidente de honra da Beija-Flor, Anízio Abrahão David, e os familiares de Roberto. Aí, ficou decidida a homenagem da escola de Nilópolis ao rei da Jovem Guarda.

Agora, com a aguardada visita de Roberto Carlos à quadra da Beija-Flor encontro novamente o RC, que me honrou com um abraço caloroso. Saudei o cantor com minha habitual reverência. Roberto me agradeceu. E reforçou o cumprimento.

Fotos de Ana Cláudia.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

EXPULSOS 1










Rituais de satanismo, que afastaram fiéis de uma igreja do interior do Rio Grande do Sul e continuam se repetindo regularmente, espalhando o terror entre céticos e ateus, conforme registros de moradores, inspiraram o novo filme do cineasta Osnei De Lima. Os rituais são periódicos e a ação do pároco da aldeia contraria as orientações da igreja, pois acredita ele estar contribuindo para a solução de um caso de possessão demoníaca e não de um estado de morbidez mental.

A intenção do cineasta é a mostrar o que significa um homem estar tomado por um poder maligno. A solução ficcional é surpreendente.

À convite do cineasta Osnei de Lima estive em Erechim acompanhando o início das gravações de seu novo filme "Expulsos", que foram rodadas em três dos municípios que integram a rota Verdes Vales, do Alto Uruguai, no Norte do Rio Grande do Sul: Mariano Moro, Severiano de Almeida e Aratiba. Os outros municípios de Verdes Vales são Erechim, onde ficamos concentrados, e Três Arroios.

O filme é estrelado pelos atores Camilo Bevilacqua (foto 2), com quem viajei para essa feliz aventura de retornar ao torrão gaúcho, e Giuseppe Oristânio, que participará das cenas que serão gravadas no Rio de Janeiro. Camilo Bevilacqua é contratado a Record onde recentemente atuou na série "Sansão e Dalila", que estava no ar, quando estávamos lá. Ele é natural da cidade de Gaurama, vizinha à Erechim. Giuseppe (foto 3) também da Record está em "Ribeirão do Tempo" e na reprise de "Ana Raio e Zé Trovão". Giuseppe gravará cenas no Cristo Redentor. O elenco de apoio foi formado por atores e figurantes locais.

Desembarcamos, este blogueiro e Camilo Bevilacqua no aeroporto Chapecó-SC, a duas horas de Erechim, onde nos aguardavam o diretor-produtor Osnei e o músico Paulo Cassarim (que integrou a banda Engenheiros do Hawai), que é o autor da trilha sonora de "Expulsos". Depois fomos, instalados no hotel Climax, onde Karina Picolli e Carla nos recepcionaram com carinho e atenção.

O diretor

OSNEI DE LIMA (foto 4) produziu e dirigiu seis longa-metragens, sendo os mais conhecidos: O come gente , com Barbara Paz, Caminhos de ferro, com Gracindo Junior; 100 Anos em Uma Noite - Centenário de Erechim/RS.

Tem 14 curtas, entre eles os premiados O canibal , Super 8 – 2001 - premiado em Gramado; Casamento da Jacutinga: Premiado em Gramado - Super 8 – 2003; Sonho de Liberdade - Tributo a Tim Lopes: Melhor Filme Regional Super 8 - concedido pela APTC/RS – 2003.

EXPULSOS 2














As filmagens foram iniciadas em Mariano Moro, onde foram escolhidas três locações, entre elas o Parque da Gruta Nossa Senhora de Lourdes - a terceira maior do Estado em profundidade e abertura (foto 1), uma fazenda (foto 2) - que contou com a participação do ex-prefeito Arude Gritti e sua mulher Norma; e no lago da barragem da Usina Hidroelétrica Itá (foto 3), que aliás banha as três cidades da região Verdes Vales. A comitiva de filmagem foi recepcionada pelo prefeito Ivan Marcos Devensi e pelo secretário de Turismo Edson Mocellin e equipe no parque da gruta, que além do santuário,tem quiosques e pista de arvorismo e 'tirolesa' para prática de saltos radicais (que consiste em superar uma série de obstáculos de árvore em árvore até atingir um ponto mais alto e saltar). A bela Allana Mandrik, rainha da expomariano, alindou o encontro.

Após a tomada de cenas do primeiro dia, fomos almoçar no DaCasa, em Aratiba, ainda por inaugurar. Aberto especialmente para receber a equipe de "Expulsos". É um restaurante de cozinha típica, instalado às margens Linha Auxiliadora. É um restaurante familiar. Arlete e Waldir Holz, com os filhos, preparam os quitutes e fazem o atendimento. Tanto o vinho quanto o suco de uva, ambos mais naturais impossível, são de vinhedo próprio. No DaCasa foi-nos servido um precioso ágape tanto no início quanto no final dos trabalhos, sob a égide do prefeito Luiz Angelo Polleto, o vice Gelson Carbonera e os jornalistas Max Pavan e Leonardo Bortolotto.

Em Aratiba foram escolhidas duas locações para as filmagens na igreja do Parque de Lago. O acesso principal da igreja é feita pelo lago. Metade de sua escadaria de madeira está submersa (foto 4).

Severiano de Almeida teve duas locações. Numa casa abandonada (foto 4) e no lago da UHI (foto 5). O prefeito Ademar José Basso e seu secretariado nos recebeu com um almoço na Cantina Trenti, uma aprazível estância vinícula localizada na Linha Tigre, onde as tradições italianas estão enraizadas. A família Schirmann Trenti, Marli, Rogério, Álvaro e Sabrina recebem amigos e turistas com reserva marcada. Anexo à cantina duas suites e dois quartos. Também passeio guiado pelas parreiras da víndima de onde produzem o próprio vinho servido aos hóspedes e importado para a Europa.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

HORA DE PEDRO CAETANO

Já está na Internet, mais um (o último) programa “Histórias do Frazão” deste 2010.

O destaque é Pedro Caetano, compositor de primeira que completa 100 anos este ano.
Pedro, de quem me orgulho de ter sido amigo, é um dos maiores compositores brasileiros, conta o radialista e pesquisador Osmar Frazão, a enciclopédia da MPB, e teve sucessos gravados por todos os grandes nomes da Era do Rádio e até depois, redescoberto por Elis Regina e outros nomes de nossa música contemporânea. Sem conhecer música, sem tocar nenhum instrumento, foi capaz de compor mais de 400 músicas, em sua maioria gravadas por cantores e cantoras consagrados como Orlando Silva, Ciro Monteiro, Quatro Azes e um Coringa, Francisco Alves, Dircinha Batista, Marlene, Aracy de Almeida, Dalva de Oliveira, Elis Regina, Célia, Céu da Boca, Zélia Duncan, Pedro Camargo Mariano, Karrin Allyson e muitos outros, acrescenta o jornalista.

É autor de valsas lindas e também de muitas outras composições, muitas delas incorporadas ao clássicos de nosso cancioneiro. Este ano, a família decidiu lembrar a memória deste grande mestre. O Instituto Cravo Albin decidiu ajudar e Osmar Frazão foi convidado para integrar o conselho que organiza as homenagens. Neste programa, começam as iniciativas para que Pedro Caetano não seja esquecido.

O programa “Histórias do Frazão” vai ao ar aos domingos, de 9h às 11h, pela Radio Nacional do Rio de Janeiro, é reprisado às segundas-feiras, de 21h às 23h, e pode ser ouvido pela Internet, a qualquer momento, em www.historiasdofrazao.com.br

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

BEM-VINDO, 2O11

"Tudo perfeito e maravilhoso 2011,
agora eu cheguei lá 2011"



Alessandra e Luis Felipe Amorim, cantor e baterista do grupo Alaska, promoveram o bye,bye 2010 e bem-vindo 2011, nos salões da Taquara, reunindo 50 pessoas em torno da mesa, com direito a arroz lentilha,rabanadas, panetones, vinhos e champanhotas, e também churrasco, preparado por um cearense, devidamente pilchado, de bombacha, botas e lenço maragato.

Rolou um som esperto, muita agitação e até um amigo oculto - que só não foi mais oculto porque todo mundo era direta, ou diretamente, parente de Luiz Felipe. Antes de tudo, uma oração agradecendo pelas conquistas do ano que passou e uma declaração de fé em Deus e num futuro melhor para todos, com Luiz Felipe cantando "Como Zaqueu" e todos fazendo coral.

Vera e João Furtado, avós de primeira viagem, brindavam a chegada de João Gabriel, primogênito de Walace e Érika, ela filha de Beth Cardaretti e Ailto Nascimento. Vinícius depois de visitar o sobrinho chegou com a namorada e um cooler recheado por uma garrafa de escote 12 anos, energéticos e gelo. Do clã Furtado e Amorim também disseram presente: vó Caíca, Beth e Álvaro (que ministrou o casório dos anfitriões), Mônica e Oswaldo, Luis Carlos e Elizete – que preparou as comedorias, com Raquel, que estava com o marido e passarinheiro Márcio; Raíssa, filha do casal, foi pra a Região dos Lagos com a avó materna. Larissa era mais uma representante da juventude dourada.

O clã Marques esteve presente quase em sua totalidade: Luciano e Ana, com o filho Diego (que provocou suspiros) e a namorada Thalita; Laura e Wlamir Borja com os quietos filhos Igor e Iuri, mais o inquieto Yago; Lourdes sem os filhos (Leo acompanhava a bateria do Salgueiro no réveillon da Barra; Bruno que festejou com sua Fernanda; e Camila foi pular as sete onas em Copa). O intrépido Thiago Marques animou a noite com seu entusiasmo, não poupando nem a mãe,Lúcia Maria, com seu humor perturbador, tendo como tema o poodle Kimbol, assim batizado em homenagem à Schwarzenegger. E muito menos livrou a cara do pai, lembrando que o endereço da gafieira era outro, por conta do figurino que usava. Sapatos e calças brancos, com uma camisa roxa, presente que a filha trouxe de Nova Yorque, que seguia a orientação da numeróloga Aparecida Liberato para a passagem de ano. E lá estavam amigos legais de todos nós: Cynthia e os enamorados Marcel-Thalita.

Dona Maria do Carmo Lopes do Nascimento chegou mais tarde com Cléa Eunice e Ailto, acompanhado da sua nova consorte, Sônia, e da filha dela, Thalita. Também avô de João Gabriel, Ailto distribuiu flutês para brindar o nascimento do seu terceiro neto. Filhos de Rodrigo, com Danielle, Ana Beatriz tem 3 anos, e João Victor formam o trio.O casal descola-se de Curitiba para comemorar, com familiares e amigos, no ObaInfantil, o primeiro aniversário de João Victor.

Do varandão, os presentes testemunharam um festival de fogos que eclodiam dos quatro cantos da Cidade Maravilhosa. Sobre a alvura das mesas, cofrinhos-porquinhos personalizados (se a cor era igual, o traço principalmente os olhos do suíno eram diferentes) para que começasse o novo ano controlando os ganhos, através de um pequena poupança compulsória. Alguns cofrinhos já foram para casa com moedas.

E tudo acabou com marchinhas de Carnaval como pedia a ocasião.

Feliz ano novo!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Som na caixa....de fósforo!





Prometi um artigo sem refletir sobre minha competência para escrevê-lo. O assunto seria – e é – sobre caixa de fósforos e samba. Os gênios escrevem artigos nas coxas até com qualidade superior aos famosos charutos enrolados nas pernas pelas belas mucamas cubanas, que é como são feitos os bons habanos, iguais aos que Dalva Beltrão me presenteou recentemente. Só os gênios e as cubanas podem escrever artigos e fazer charutos nas coxas. Resultam em preciosidades. Já os faroleiros...
Arrependido ou não, tenho a idiossincracia de enfrentar desafios. E vim à luta para o teclado do PC. Não tratarei o assunto com profundidade, por que ele é mais gostoso pelos aspectos curiosos que envolvem um e outro. Samba e caixa de fósforos e vice-versa. O mote de lancei fora exatamente sobre esse casamento musical.
Aí, logo se citou entre os parceiros do bate-papo, o glorioso Ciro Monteiro. Lembro dele, na televisão ainda preto&branco, cantando “Se acaso Você chegasse”, de Lupicínio Rodrigues, e batucando na altura do rosto a caixa de fósforos, que virou sua marca registrada.
Lupiscínio também tinha intimidade com a caixinha de fósforos. Era instrumento indispensável na hora de mostrar suas composições. Ao contrário do que muitos pensam, o velho Lupe não tocava instrumento algum. Compunha assobiando e fazendo ritmo com uma caixa de fósforos, conta seu filho Lupe que toma conta da casa de show lá de Porto Alegre, batizada com o título daquele sucesso.

Mariana Lacerda manda:

– Preste atenção! Está lá, a percussão dela, uma pequena caixinha de fósforos, em "Amor Proibido", de Cartola na voz de Paulinho da Viola, no disco Bate Outra Vez (Som Livre, 1988). O som vem das mãos de Elton Medeiros, quem tamborila o instrumento.
Um dos especialistas neste ‘instrumento’, Elton Medeiros, que acompanhou na caixinha as divas Elizeth Cardoso, Clementina de Jesus, e os bambas Nélson Sargento e Paulinho da Viola, afirma:
– “Bato caixinha de fósforos porque isso me ajuda a viver. Tudo que faz a gente feliz ajuda a viver, não é?”
E qual é o passo a passo para tocar um samba na caixinha?
– "Ela não deve estar nem cheia nem vazia", recomenda Medeiros. Então toque. Encontre um ritmo. Devagarzinho. Tente acompanhar uma música. Siga. Tente. "Todo mundo tem ritmo", diz Medeiros. Toque. Pois "quem sabe bater caixinha de fósforos provavelmente saberá tocar outros instrumentos de percussão", diz ele, que além de trombone toca bateria e tamborim.
Seu samba-enredo – feito em 1954 para sua Escola de Samba Aprendizes de Lucas –, o Exaltação a São Paulo, foi apresentado pelo cantor Jorge Goulart no programa Um Milhão de Melodias, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Arranjo do maestro Radamés Gnattali, para violino e... caixa-de-fósforos. Esta naturalmente solada por ele.
Somente a criatividade dos sambistas brasileiros poderia recorrer a esse pequeno objeto (48 x 36 x 17mm) e transformá-lo num instrumento musical, aonde quer que falte qualquer outro. Muito especialmente no botequim, quando surge a inspiração.
O caso de amor da caixa de fósforos com a música já têm algumas dezenas de anos. Além do “faça-se à luz”, a caixa de fósforos também faz som. Esse som que vira ritmo, sustenta a harmonia e se integra à história da nossa música.

Daí não pode se dizer que seja exclusividade dos sambistas a adoção da caixa de fósforos como instrumento auxiliar de compasso, percussão ou coisa do gênero. O autor do Xote das Meninas, Zé Dantas pernambucano do Alto do Pajéu nunca estudou música nem sabia tocar qualquer instrumento. Compunha marcando o compasso com o auxílio de uma caixa de fósforos.

Pois é, aí o encontro de compositor e caixa de fósforos acabou em baião.